quinta-feira, 5 de julho de 2012

FOGO NO PARANÁ EM 1963


Eu tinha cinco anos de idade e ainda tenho vivo na memória as cenas de meu pai e meus tios jogando água com baldes em cima do telhado feito de tabuinhas da nossa casa em Briolândia no município de Ortigueira  para escapar do fogo que passava próximo de casa e dava para ouvir o estrondo do bambuzal parecendo fogos de artifício daquele que foi um dos maiores incêndios florestais já assistidos sobre a face da Terra e que aconteceu no Paraná em Agosto de 1963.

Os cerca de 128 municípios que foram atingidos pelo fogo brutal e descontrolado, mal desconfiavam do perigo desse dia tenebroso que vinha ardendo e devorando 600.000 alqueires de Matas Virgens Nativas, evaporando regatos, reduzindo à cinzas e brasas no calcinar de milhares de alqueires de Pastagens, Lavouras, Casas, Serrarias e até mesmo Ferrovias engolidas com suas Estações inteiras.

Sem contar Ranchos, Paióis de Milho, Colheitas Prontas, Postes de Eletricidade e Fiação, Barcos, Ferramentas, Motores, Armas, Caminhões, Bicicletas, Charretes, Tratores, Combustível, Automóveis, Motocicletas, Animais de estimação como Cães, Gatos e Aves. Criações inteiras de Porcos e Gado, Cavalos, sem contar os milhões e milhões de Pássaros, Insetos, Felinos, Cervídeos e outros animais selvagens e rasteiros afetados pela fumaça ou pela expulsão a fogo de seu Habitat Natural.

Pertences inestimáveis e irrecuperáveis  como Fotos, Roupas, Utensílios, Mobília e casas inteiras, além das Memórias pessoais de milhares de moradores.
Somente uma única das Indústrias do ramo madeireiro, a Klabin do Paraná, teve nesses dois meses de incêndios contínuos, cerca de 90% de seu patrimônio estocado “ao tempo” completamente devastado pelas labaredas explosivas, que destruiu também as plantações de bosques imensos dos Pinheiros-do Paraná, a elegante Araucária Angustifolia.

Essa tragédia, de porte gigantesco, por "sorte", matou "somente" 100 pessoas. Os estudiosos dizem que é devido à baixíssima densidade de habitantes/km²; eu, que estava lá com minha família, digo que foi a mão de Deus que esteve presente em meio as chamas. 
Ainda vou contar para vocês a história do Osório dos Santos e como Deus o livrou do fogo.

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